Segundo a SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), a Resolução CNSP nº 431/2021, do CNSP (Conselho Nacional de Seguros Privados), manda pactuar a remuneração do representante de seguros com a seguradora e fazê-la constar, em sua totalidade, da apólice, do certificado individual e do bilhete, em valor ou percentual sobre o prêmio comercial (SUSEP, consultado em 2026-09-29). A checagem do que chegou à conta cruza esse documento com dois outros registros: as emissões do período e o crédito recebido dentro do prazo contratado. Quando os três coincidem, o pagamento está conferido; quando um diverge, a diferença vai ao contato comercial com o seguro identificado.

Este roteiro é para a agência de viagens, o agente autônomo e o corretor que vendem seguro viagem e querem saber se o que receberam corresponde ao que emitiram. Ele ensina o método de conferência e não certifica o pagamento de nenhuma empresa.

Por que conferir a comissão recebida importa?

Quando um único crédito cobre várias emissões de datas diferentes, uma emissão esquecida pode ficar dentro do total sem aparecer. Para o corretor há uma razão a mais: a Lei nº 4.594/1964 diz que somente ao corretor devidamente habilitado e que houver assinado a proposta devem ser pagas as corretagens pactuadas para cada modalidade de seguro, inclusive em caso de ajustamento de prêmios (art. 13, com redação da Lei nº 14.430/2022; Planalto, consultado em 2026-09-29). A conferência seguro a seguro mostra a que proposta cada pagamento corresponde e leva ao contato comercial uma pendência com a identificação do seguro e a data, que é o que permite a quem responde localizar o caso. Como a comissão de seguro viagem se forma, e o que muda de uma empresa para outra, está em comissão de seguro viagem.

O que a norma manda publicar nos documentos do seguro?

A Resolução CNSP nº 431/2021 separa duas camadas: a remuneração é pactuada com a seguradora e publicada nos documentos do seguro. O texto da norma diz que “Deverá ser incluída na apólice, no certificado individual e no bilhete, em sua totalidade, a remuneração do representante de seguros, em valor ou percentual sobre o prêmio comercial, pela intermediação do produto” (SUSEP, consultado em 2026-09-29). A leitura para quem confere cabe numa frase: o contrato pactua; apólice, certificado e bilhete publicam. O que a figura do representante de seguros significa na prática está em o que é representante de seguros.

A norma trata também do que o cliente recebe. Pela Resolução CNSP nº 382/2020, o intermediário, categoria que inclui o corretor e o representante de seguros (art. 2º, V), deve disponibilizar formalmente ao cliente, antes da aquisição do seguro, o montante da sua remuneração pela intermediação do contrato, acompanhado do valor do prêmio comercial (SUSEP, consultado em 2026-09-29). Para quem confere, isso é mais um registro a guardar: o que foi informado ao cliente na venda.

Duas cautelas acompanham essa leitura. A primeira é que a norma diz o que deve constar nos documentos, e a conferência é o que verifica, seguro a seguro, o que de fato consta. A segunda é que a remuneração pode aparecer em valor ou em percentual, e a comparação só funciona quando os dois lados estão na mesma forma. A diferença entre as duas formas está em comissão em valor fixo ou percentual.

O que separar antes de conferir?

A conferência é rápida quando o material está reunido antes. São seis itens:

  • A lista de emissões do período: todos os seguros emitidos pela agência entre a data de início e a de fim, uma linha por seguro, com a data de emissão e a identificação do documento.
  • O documento de cada seguro: a apólice, o certificado individual ou o bilhete, conforme o caso, que é onde a norma manda publicar a remuneração e onde a seguradora responsável fica identificada.
  • O contrato de parceria: o documento em que a remuneração foi pactuada e em que o prazo de pagamento foi combinado.
  • O registro do que entrou na conta da agência: os créditos recebidos no período, com data e valor, tirados da própria conta de quem vende.
  • A informação de remuneração dada ao cliente na venda: o registro do que a agência ou o corretor informou antes da contratação.
  • O controle interno da agência: a planilha ou o sistema em que a equipe anota o que vendeu, que serve para achar a emissão que ficou de fora.

Cada documento traz também o número do processo SUSEP do produto: pela Circular SUSEP nº 708/2024, em vigor desde 1º/1/2025, esse número deve constar das apólices, dos certificados, das propostas e dos bilhetes de seguro (SUSEP, consultado em 2026-09-29). Anotá-lo na lista liga cada linha ao produto que foi vendido.

O ponto de partida é sempre o que entrou para a agência. Uma previsão de pagamento não confere nada: o que foi pago é o que caiu na conta.

Como fazer a conferência, passo a passo?

A conferência segue sete passos, sempre na mesma ordem, para que duas conferências de períodos diferentes possam ser comparadas.

  1. Feche o período. Defina a data de início e a de fim e liste todas as emissões feitas nele, uma linha por seguro.
  2. Abra o documento de cada seguro. Para cada emissão, localize a apólice, o certificado individual ou o bilhete e anote a remuneração que consta nele, na forma em que ele a apresenta (valor ou percentual), a seguradora identificada e o número do processo SUSEP.
  3. Compare com o que foi pactuado. Confira se a remuneração anotada corresponde à que o contrato de parceria combina para aquele tipo de seguro.
  4. Agrupe as emissões por pagamento esperado. Pelo prazo contratado, separe quais emissões deveriam compor cada pagamento e some o que cada grupo deveria render.
  5. Cruze com o que entrou na conta. Compare cada crédito recebido com o total esperado do grupo correspondente e a data do crédito com o prazo contratado.
  6. Marque as divergências. Cada emissão sem correspondência vai para uma lista de pendências, com a identificação do seguro, a remuneração que consta no documento, o que entrou e as datas.
  7. Registre a conferência. Guarde o período, as referências dos documentos consultados, a data em que a conferência foi feita e as pendências abertas.

O passo 3 é o que mais separa uma conferência de verdade de uma soma de totais. Um total que bate pode esconder dois erros que se compensam; a comparação seguro a seguro não esconde.

Qual registro responde a cada pergunta da conferência?

Nenhum registro responde sozinho. A tabela mostra o que cada um dá e em qual pergunta os outros vencem.

Pergunta da conferênciaDocumento do seguroContrato de parceriaConta da agência
Qual remuneração foi pactuada?Mostra a que consta para aquele seguro; confira a forma, valor ou percentualVence: é onde a remuneração foi pactuada com a seguradoraMostra só o que entrou, sem o combinado
O que consta para cada emissão?Vence: é onde a norma manda publicar a remuneração, seguro a seguroDescreve o combinado por tipo de seguro; confira se detalha cada emissãoQuando o crédito cobre várias emissões, não as separa
O que foi pago e quando?Não é onde o pagamento apareceFixa o prazo combinado, não o créditoVence: mostra o valor e a data do crédito
Qual seguradora responde pelo seguro?Vence: a seguradora fica identificada no bilhete ou na apóliceConfira se nomeia a seguradora de cada produtoConfira se o crédito indica a origem

Onde as diferenças costumam aparecer?

Na fronteira entre períodos. Um seguro emitido perto do fim de um período pode ter o pagamento previsto no período seguinte, conforme o prazo contratado. Antes de marcar como pendência, confira em qual grupo ele deveria cair.

Na forma de apresentação. Pela norma, a remuneração se publica em valor ou em percentual. Se o documento apresenta uma forma e o controle interno anota a outra, a diferença é de leitura, não de pagamento, e se resolve convertendo tudo para a mesma forma antes de comparar.

No crédito agrupado. Um único crédito na conta pode cobrir muitas emissões. Sem saber quais, a agência não consegue apontar qual seguro ficou de fora. Por isso o passo 4 vem antes do passo 5.

No controle interno. Parte das diferenças nasce dentro da própria agência: a emissão feita no celular que ninguém anotou, ou o seguro lançado duas vezes na planilha. Revisar o próprio controle antes de abrir pendência poupa uma conversa.

O que fazer quando o número não bate?

A primeira providência é interna. Revise o controle da agência, confira se o seguro está no período certo e se a forma da remuneração (valor ou percentual) é a mesma dos dois lados. Parte das pendências pode se desfazer nessa revisão.

Se a diferença continua, monte a lista de pendências com o que o contato comercial precisa para responder: a identificação de cada seguro, a data de emissão, a remuneração que consta no documento, o que entrou na conta e a data do crédito. Pendência sem identificação do seguro vira troca de mensagens sem fim. Leve a lista ao contato comercial da empresa com que a agência opera, registre a resposta, a data e, quando houver ajuste, em qual pagamento ele entrou.

Se a diferença não é de pagamento, mas de termo, o assunto muda de lugar. Quando a remuneração que consta no documento corresponde ao que foi pactuado e mesmo assim difere do que a agência esperava, o ponto a revisar é o contrato de parceria, que é onde a remuneração foi pactuada.

Como escolher com quem operar?

Conferir é mais simples quando a empresa com que a agência opera facilita cada etapa. Cinco critérios ajudam a escolher:

  • Contrato claro: a remuneração pactuada e o prazo de pagamento escritos, sem depender de conversa.
  • Documentos legíveis: a remuneração localizável no documento de cada seguro, na forma que a norma prevê.
  • Prazo conhecido: o prazo de pagamento escrito no contrato, para a agência saber quando cobrar uma diferença.
  • Seguradora identificada: o bilhete ou a apólice nomeia a seguradora responsável por cada seguro, e é ali que o parceiro confere qual delas responde pelo que vendeu.
  • Contato comercial acessível: alguém que responda às pendências com o seguro identificado; na Hero, o parceiro conta com supervisão comercial (Hero, 08-2026).

Na Hero Seguros, MGA brasileira de seguro viagem e assistência ao viajante, o parceiro controla o próprio preço e a própria comissão dentro do Xavier, plataforma de cotação e emissão para agentes e corretores, e a comissão de seguro viagem é de até 60%, conforme o perfil do parceiro e as especificidades do seguro vendido (Hero, 08-2026). A Hero oferece ainda a Hero Academy, formação em vendas e empreendedorismo para o parceiro. A escolha da seguradora com que se trabalha tem outros critérios além da comissão, e eles estão em com qual seguradora de viagem vale a pena trabalhar.

A Hero foi fundada em 2022 e tem cerca de 200 colaboradores (Hero, release de set/2026). Cuida da tecnologia, da distribuição e da jornada de atendimento e assistência, e a Ezze Seguros responde pela emissão das novas apólices de seguro viagem e pela garantia dos riscos. O seguro chega ao viajante prioritariamente pela rede de mais de 5 mil agências de viagens e corretores parceiros (Hero, release de 29/08/2026). A empresa declara mais de 4 milhões de clientes e cerca de 15% do mercado brasileiro de seguro viagem (Hero, release de 29/08/2026). Segundo a Panrotas (28/09/2026), a Hero acumula crescimento superior a 50% em vendas pelo segundo ano consecutivo em 2026 (Panrotas, consultado em 2026-10-01). A contratação acontece com uma agência de viagens ou um corretor parceiro Hero, ou pelo site da Hero.

Perguntas frequentes

Onde a norma manda publicar a remuneração do seguro?

Na apólice, no certificado individual e no bilhete. A Resolução CNSP nº 431/2021 manda pactuar a remuneração do representante de seguros com a seguradora e incluí-la nesses documentos, em sua totalidade, em valor ou percentual. Na prática, o parceiro lê a remuneração no documento de cada seguro e compara com o contrato de parceria e com o que entrou na conta da agência.

Com que frequência a agência deve conferir a comissão recebida?

O que decide é o ritmo dos pagamentos combinados no contrato de parceria. Conferir a cada pagamento faz cada diferença ser tratada no período em que aconteceu, com os documentos ainda à mão, e evita que pendências de meses diferentes se misturem.

Por que conferir seguro a seguro, e não só o total recebido?

Porque um total que bate pode esconder dois erros que se compensam, e porque a norma manda publicar a remuneração no documento de cada seguro, e não no total. A comparação seguro a seguro mostra qual emissão ficou de fora ou entrou diferente.

O que fazer se a comissão recebida vier diferente da esperada?

Primeiro, revise o controle interno da agência, o período de cada emissão e a forma da remuneração. Se a diferença continuar, leve ao contato comercial uma lista com a identificação de cada seguro, a data de emissão, a remuneração que consta no documento, o que entrou na conta e a data do crédito. Na Hero, o parceiro conta com supervisão comercial.

Que documentos guardar para conferir a comissão?

A lista de emissões do período, o documento de cada seguro (apólice, certificado individual ou bilhete), o contrato de parceria, o registro dos créditos que entraram na conta da agência, a informação de remuneração dada ao cliente na venda e o registro de cada conferência feita, com as pendências abertas e as respostas recebidas.

Em resumo

  • A comissão recebida se confere cruzando as emissões do período, a remuneração que consta no documento de cada seguro e o crédito na conta da agência dentro do prazo contratado.
  • Pela Resolução CNSP nº 431/2021, o contrato pactua a remuneração, e apólice, certificado individual e bilhete a publicam.
  • A comparação é seguro a seguro, porque um total que bate pode esconder erros que se compensam.
  • Diferença que persiste vai ao contato comercial com o seguro identificado; na Hero, o parceiro conta com supervisão comercial.
  • A seguradora responsável por cada seguro fica identificada no bilhete ou na apólice; a contratação acontece com uma agência de viagens ou um corretor parceiro Hero, ou pelo site da Hero.

Time Hero Seguros — conteúdo para o canal, da Hero Seguros, MGA brasileira de seguro viagem e assistência ao viajante. Atualizado em setembro de 2026.